“Nós podemos "explicar" o azul-pálido desse pequeno
mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às
imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos,
nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é
azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de
observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para
nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa
casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos que conhecemos de quem
já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as
suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras
religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores,
heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses,
jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores
e exploradores, professores de moral, políticos corruptos,
"superastros", "líderes supremos", todos os santos e
pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num
raio de sol” (Carl Sagan).
Vista do
espaço a terra é um planeta azul, com manchas brancas formando espirais, pairando
no “céu”. Como disse Carl Sagan “deste ponto distante de observação, a terra
talvez não apresentasse nenhum interesse especial”. "Mas olhem de novo
para o ponto" olhem mais de perto.
Muitas
palavras podem descrever o lugar em que vivemos. Cada uma descreve o quer que
se que imagine. Em larga escala Cosmo, galáxias, Via Láctea. Em escalas
menores planetas, sistema solar, planeta terra.
E se
pedissem para imaginarmos dentro delas o ecossistema certamente não
imaginaríamos paisagem e sim, coisas mais parecidas com a fauna e a flora.
Estas
palavras não dariam conta de descrever ou explicar visualmente coisas sublimes
como um entardecer, um por de sol, ou a palidez de uma tarde de outono. Só uma
delas pode dar conta de disso: Paisagem.
Paisagem:
espaço territorial que se abrange num lance de vista.Vastidão, grandeza.
Petropolis
é o tipo de cidade que oferece dois tipos de paisagem: As sublimes e as
pitorescas. Sublime por suas elevações que ultrapassam os 2.000
metros de altura, que sublimam o
cotidiano, que nos desafiam e abrem nossos olhos para a grandeza do mundo.
Pitorescas por seus belos jardins. O "grande" e o "Pequeno".
Sublime:
Palavra originada no ano 200 depois de cristo.
Alain de
Botton, no capítulo dedicado a falar da paisagem sublime em seu livro "A ARTE
DE VIAJAR" , busca na história bíblica o momento em que Deus esteve no
deserto do Sinai, vale desprovido de vida, sem árvores, sem pássaros, sem
flores, especialmente na região central, cuidando de
um grupo de israelitas que se queixavam de falta de alimento.
Este
episódio abre-se à percepção do vazio e
a falta de vida que há no deserto. A paisagem sublime transmite através de sensações como vazio e silêncio, o sentimento do
sublime, e foi justamente no momento do declínio da fé, no início do século
XVIII, que as paisagens sublimes passam a se tornar importantes aos humanos que
procuravam ressuscitar a fé que neles estava se perdendo, momento de transições culturais e sociais que colocavam à
prova a identidade do ser humano. O ser em um mundo novo, quando no surgimento das
cidades modernas, as relações humanas e do homem com o meio natural e
tecnológico alteravam sua percepção de tempo e espaço, onde a vida se encontra.
Falando do sublime, De Botton diz que
“as montanhas e vales sugerem espontaneamente que o planeta foi
construído por algo diferente de nossas mãos, por uma força maior do que
poderíamos reunir, muito antes que nascêssemos, e projetado para continuar muito depois de nossa extinção” (De
Botton, 2003, Pag. 182) .
Diferentemente das paisagens sublimes, Para De Boton, as
paisagens pitorescas, os jardins, as árvores, refletem em nós, “Os
efeitos benéficos da natureza, um ser inanimado pode ainda exercer influencia
sobre os que o cercam. Cenas naturais têm poder de sugerir certos valores –
carvalhos, dignidade; pinheiros, a determinação; lagos, a calma – e, com
sutileza, podem assim servir de inspiração para a VIRTUDE.
Virtude latim: virtus;
em grego: ἀρετή é uma qualidade moral
particular. Virtude é uma disposição estável em ordem a praticar o bem; revela
mais do que uma simples característica ou uma aptidão para uma determinada ação
boa: trata-se de uma verdadeira inclinação.
Virtudes são todos os hábitos constantes
que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer
pessoalmente, quer coletivamente.
A virtude, no mais alto grau, é o conjunto
de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Segundo
Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem,e elas se aperfeiçoam
com o hábito.
Para o romântico Wiliam
Wordsworth, cidadão inglês, homem que experimentou estas mudanças, preferindo
viver na Inglaterra que ainda não havia sido modificada culturalmente pelo
movimento de industrialização e crescimento das cidades, após vivenciar as
paisagens naturais na Inglaterra, percebeu:
"A natureza, tem tal poder de influenciar a mente que se
encontra em nós, de imprimir com quietude e beleza, e nutrir com pensamentos
elevados, que nem as más línguas, os julgamentos apressados, nem o escárnio de
homens egoístas, nem os cumprimentos desprovidos de gentileza, nem todo o
entediante relacionar-se da vida diária, jamais nos dominarão nem perturbarão.
Nossa fé risonha de que tudo o que contemplamos está cheio de benção".
Wiliam Wordsworth.
Para De Botton nas cidades nascem os sentimentos mais egoístas dos seres humanos, competição, inveja, a realidade que compõe todo tecido urbano uma vez que é permeada por valores materiais, seria a causa dos males que a urbanidade provoca. Ao contrário, o campo e sua quietude, a vida natural manifestada, nada mais poderia oferecer que bondade e beleza. Para Wordsworth "Embora ausentes há tanto tempo, essas formas de beleza não foram para mim, como a paisagem para o olho de um cego: mas muitas vezes em quartos solitários, e no meio do alvoroço, de vilas e cidades, devi a elas, em horas de cansaço, doces sensações...em tranquila recuperação. Quantas vezes, na escuridão e em meio às muitas formas, da luz melancólica do dia, quando o desassossego da agitação vã e a febre do mundo, se encontraram nas batidas do meu coração, quantas vezes em espírito voltei-me para ti, ó silvestre, quantas vezes meu espírito se voltou para ti." Wiliam Wordsworth.
Para De Botton nas cidades nascem os sentimentos mais egoístas dos seres humanos, competição, inveja, a realidade que compõe todo tecido urbano uma vez que é permeada por valores materiais, seria a causa dos males que a urbanidade provoca. Ao contrário, o campo e sua quietude, a vida natural manifestada, nada mais poderia oferecer que bondade e beleza. Para Wordsworth "Embora ausentes há tanto tempo, essas formas de beleza não foram para mim, como a paisagem para o olho de um cego: mas muitas vezes em quartos solitários, e no meio do alvoroço, de vilas e cidades, devi a elas, em horas de cansaço, doces sensações...em tranquila recuperação. Quantas vezes, na escuridão e em meio às muitas formas, da luz melancólica do dia, quando o desassossego da agitação vã e a febre do mundo, se encontraram nas batidas do meu coração, quantas vezes em espírito voltei-me para ti, ó silvestre, quantas vezes meu espírito se voltou para ti."
Apesar do desenvolvimento urbano, as paisagens petropolitanas conservam em "estado bruto" matas, vales, montanhas. A colonização européia e a ocupação do território no século XIX, trouxe para a cidade marcas da arquitetura e do próprio paisagismo europeu. A maneira de construir palácios e jardins, transformou este lugar que já era "belo antes" por meio do espírito dos revivalismos arquitetônicos em uma paisagem bela e sublime. Belas pelos jardins e palácios, sublimes pelos vales e montanhas que por sí próprios, enveredaram os caminhos do crescimento urbano e e da transformação de sua paisagem. As imagens focam a Petrópolis natural, com resquícios da transformação cultural e da paisagem que vemos hoje.
“O enquadramento exige o recuo, a distância certa. Tudo ver, claro, mas apenas aquilo que está no campo. E ainda, o enquadramento inspira ordem, da à regra dos primeiros planos e dos planos de fundo [...] porque a moldura corta e recorta, vence sozinho o infinito do mundo natural. O limite que ela impõe é indispensável á construção de uma paisagem como tal. (Calquelin, 2007, pag. 137)
Referências:
SAGAN, CARL. PÁLIDO PONTO AZUL: UMA VISÃO DO FUTURO DA HUMANIDADE NO NOSSO ESPAÇO.
DE BOTTON, Alain. Do Sublime. In: De Botton, Alain. A Arte de Viajar. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
DE BOTTON, Alain. Do Campo e da Cidade. In: De Botton, Alain. A Arte de Viajar. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
Virtude in: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Virtude> Acesso em 5 de março de 2013
CAUQUELIN, Anne. A invenção da Paisagem. São Paulo: Martins Fontes, 2007.












































Têm fotos lindas. A luz de fim de tarde é um recurso bem legal de se explorar e as paisagem naturais de petrópolis são um prêmio pra essa brincadeira.
ResponderExcluirAs fotos de cotidiano muito me agradaram em preto e branco ... gosto das pessoas e das sombrinhas de Petrópolis. Confesso que um tanto da urbanidade de Petrópolis não me agrada, me oprime a ocupação desordenada morro acima, para mim é um reflexo de uma desigualdade e descaso com o viver que é tão impresso em metrópoles brasileiras. Petrópolis poderia olhar mais atentamente para seus riscos ambientais e citadinos. No mais, riscos e postes e pessoas circulando numa névoa tão intimamente chamada de "russo" é um prato cheio para imagens e imaginações.
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