sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Flâneur e a Fotografia


As caminhadas em Petrópolis costumam ser muito recompensadoras. Caminhando pelos caminhos que percorre o flâneur, despreocupado, observador, capturando os signos da cidade, com um olhar que vai do biológico ao cultural, ele constrói, desconstrói e reconstrói o mundo. 
No marasmo da cidade ou na cidade em movimento, ele caminha e é como se estivesse em um trem, vendo a paisagem passar lenta ao longe, como um filme em recortes que ultrapassa as horas e os dias e vai do passado ao futuro em uma questão de segundos.
Em mais uma de minhas caminhadas, desta vez assumindo o papel do flâneur que já sabia ser quando resolvi registrar os grafites (tema da primeira postagem) algo mudou. A diferença desta para a outra postagem, é que agora sei existir um nome para esta minha "vadiagem produtiva". Vadiagem porquê flâneur vem do francês substantivo masculino "flâneur" que tem o significado básico de vadio, saunterer, vagabundo, que por sua vez vem do francês "flaner" que significa passear. 
Baudelaire entendeu o flâneur como a pessoa que caminha na cidade afim de experimentá-la. Para mim o flâneur caminha pela cidade porque gosta dela e quer experimentá - la. Ele sabe que no caminho irá encontrar as belas paisagens a que almeja ver. Mas esta paisagem não será a mesma, ela muda como muda o flâneur e ele quer entender. Flanar é mais que cometer o ato físico do passeio , é mais um caminho "filosófico completo de viver e pensar" como escrito por (Nassin Nicolas Taleb, 2010). (1)
O flâneur procura entender a vida urbana, os fenômenos da modernidade.
 Agora também sei que a câmera se tornou para mim a possibilidade de registrar estes momentos, esta fração de momentos e reflexões para apresentar a versão do meu caminho, da minha flânarie.

O flâneur e a fotografia.

o flâneur internaliza e externaliza os momentos do cotidiano. Com a câmera captura estas imagens, estes instantes, estes momentos. É aí que a fotografia se apresenta como uma arma para ele, principalmente a fotografia de rua. 

"este homem é um rooving apaixonado daguerreotipo que preserva o mínimo de traços, e em que são produzidas com sua reflexão em mudança, o curso das coisas, o movimento da cidade, a fisionomia múltipla do espirito público". (1)

A aplicação mais notável do flâneur tornou-se a fotografia de rua, no início do século XX, quando na modernidade da vida urbana,   tornou-se sua ferramenta.
Nesta minha flânerie me deparei com esta instalação artística na Casa da Ipiranga, também conhecida como " "A Casa dos Sete Erros" por diferirem os lados esquerdo e direito da fachada, as janelas, sacadas, os formatos. 
Fazendo jus à extravagância característica dos burgueses que aqui construíram suas mansões, neste pedaço de terra congratulado em troca de títulos, ouro e café,  construiu então a sua própria mansão, (que não chegam nem perto das mansões que se vê hoje em dia) Tavarez Guerra. 
No seu interior se distribuem duzentos painéis que foram pintados ao longo de dez anos pelo pintor austríaco Carl Shaffer. O lustre, da fundição francesa  Barbedienne, o mesmo usado no palácio de Versalhes, na França, é em bronze banhado a ouro. Na antiga sala de música, as pinturas do teto, recordam  as viagens feitas por Tavarez Guerra aos Alpes Suíços, África, Bagdá, Egito, India e Palestina, e suas paredes são todas revertidas em Papel de Ouro. 
Mas o que interessa nesta leitura não é a  arquitetura e a pompa desta casa, mas a instalação artística, que, segundo depoimento de uma amiga também artista, é a reedição de uma primeira instalação que aconteceu há aproximados dez anos. 
A instalação era composta por objetos artísticos, esculturas, de mulheres artistas da cidade que expuseram sua arte no jardim da mansão, que diga-se de passagem, foi projetado pelo botânico e paisagista françês Auguste Fraçois Marie Glazoiu. 
Falemos agora da arte que se espalha sobre o jardim de Glazoir, da instalação artistica. 
Sem referência de nome das obras, autores e data, vou me ocupar por enquanto somente do conjunto. 
uma instalação é uma manifestação artística, onde, a obra é composta de elementos que se organizas em um ambiente, à disposição de elementos no espaço, tem a intensão de criar relação com o espectador. É uma obra de arte que só existe na hora da exposição, e após isto é desmontada, e lembrança da mesma só ficam fotos e recordações.
  Com um pouco de instalação e exposição pois é uma mostra não autêntica da primeira, é uma releitura e certamente não haverá além desta primeira, recordações e fotografias. É também exposição porque são objetos atísticos, esculturas, que poderão ser expostos individualmente um dia pelos artistas que a criaram. Ainda entre  as obras e a exposição coletiva estão as fotografias. Nelas se expressam tembém uma "terceira arte", a do fotógrafo. É o seu olhar, sua maneira de ver este espaço, o olho do flâneur, os ângulos explorados, os reflexos,  e a "verbalização imagética do mundo que o rodeia".