domingo, 26 de dezembro de 2010

- A Arte Urbana em Petrópolis - O Grafite -


O primeiro grafite fotografei quando estava fazendo uma de minhas caminhadas.
Na mesma rua  logo acima me deparei com o segundo grafite, que  enquadrado na tela da câmera pude perceber melhor sua integração ao meio natural, uma ótima visualização.

Quando cheguei em casa e as visualizei pela tela do computador fiquei fascinado com as cores, com o  recorte que permite ver dentro do infinito do mundo este finito que só o enquadramento é capaz de selecionar. 
Não sei se neste momento já se processava a ideia de fazer um registro de todos estes grafites que fotografei, mas sei que as cores misturadas ao verde da mata e os muros  já me atraíam visualmente.
 Sei agora que estes muros, depois de algum tempo,  não são somente muros ou espaços para traduzir uma linguagem visual, um espaço  pós-moderno, mas também um objeto ou lugar artístico por si só. Percebi isto quando olhei  para eles e senti a nostalgia do passado com seus tijolos expostos pela ação do tempo, as ruínas, passado e presente se misturam.

Pude perceber melhor quando vi as fotografias em maior resolução que o recorte depois aproximado, me fez ver a beleza  destes muros,  com sua aparência natural e suas marcas do tempo. A mata no fundo, as vezes uma arquitetura ou mesmo as flores,  as cores e imagens se integravam àquele mundo colorido.


Nostalgia não só do tempo mas da qualidade efêmera e passageira de tudo que existe. Assim como os muros gastos pela ação do tempo estão alguns grafites, se desvanecendo e ficando ainda mais artísticos em suas cores desbotadas.

Me veio então em mente a característica passageira dos grafites, que ficam expostos como em um "museu"  a céu aberto. Tudo se confirmou quando, um dia após fotografar, alguns deles estavam sendo substituídos por outros pelos artistas, não sei se com ou sem registro pessoal. 

Fiquei pensando nas opiniões, nos debates, nos preconceitos que existem acerca dos grafites.

Fique pensando se eu mesmo não tinha um pouco deste preconceito e devia pensar melhor sobre esta manifestação urbana contemporânea.

Por que, em se tratando de arte e outras manifestações sociais e culturais, como não podia deixar de ser, existe uma hierarquia, mas que vem se desfazendo junto com todos os outros movimentos sociais, e a arte vem  ganhando as ruas, ficando mais acessível às massas .

Podemos ver estes muros de muitas maneiras. Para os que estão cercados por ele, ele representa segurança. Para os que do lado de fora sentem vontade de penetrar naquele espaço onde talvez se esconda um pedaço de natureza, ele represente um espaço roubado, restrito, privado.


O muro  que separa. O lado de dentro e o lado de fora.

Sempre associado à marginalização, ao piche e à contravenção, “atualmente o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais” [...] mais especificamente, da street art ou  - arte urbana - em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade. 

Considerando a preocupação da arte mais recente, pensei em todas as questões que envolvem a validade ou autenticidade e no que representa a arte. Tendo já aprendido a lição com Gombrich que disse que "Arte com A maiúsculo não existe", e que  segundo ele mesmo, “não prejudica ninguêm dar o nome de arte a todas essas atividades, desde que se conserve em mente, que tal palavra pode significar coisas muito diversas , em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiúsculo não existe”.

Referências : 


WOLFFIM, Heinrich. Conceitos Fundamentais da História da Arte : O problema da evolução dos estilos na arte mais recente . 4° ED. São Paulo: Fontes, 2000.


GOMBRICH, E.H. A Historia da Arte . Rio de Janeiro: LTC, 1999. (INTRODUÇÃO).






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