segunda-feira, 29 de outubro de 2012


A arte Gótica:

Fé e Religiosidade; De como a matéria se torna abstrata e aproxima o homem de Deus

Aproximadamente no século XII, na idade média, tempo do surgimento das catedrais góticas, a arquitetura começa a sofrer mudanças e transformações. Desvencilhando-se da arte românica, surge a arte gótica. Esta nova maneira de construir edifícios aparece na França por volta de 1140.

De grande beleza arquitetônica, extensão do que se processou na idade média e que se transformou no neogótico, Petrópolis exibe uma das mais belas catedrais, a meu ver do mundo. A Catedral São Pedro de Alcântara.

Externamente ou mesmo internamente, este estilo arquitetônico pode transmitir certo estranhamento ao primeiro olhar pelo “peso” da forma, pela dureza do material, no caso desta, a pedra bruta e também os tijolos, que expostos nos remete a um passado distante, ao tempo medieval.

Mas ao nos aproximarmos fisicamente e espiritualmente da sua representação, ela nos causa arrebatamento, não só pela beleza, mas também pela carga de sentimento histórico de sua significação e pelos símbolos.

Ao observar sua fachada, como é característico das catedrais góticas, avistamos uma rosácea, vitral multicolorido cuja forma se assemelha a uma flor. E uma flor é uma representação um tanto delicada e que remete à natureza da criação de Deus.

Na alta torre, que se eleva e aponta para o céu, está o símbolo que deve ser além da representação do sofrimento, também da fé e do amor. Sofrimento porque lembra-nos do cristo crucificado, da fé porque fala da profecia que se cumpriu, e do amor pela entrega.

Ao entrar, um ambiente que sombrio e escuro se parece ao primeiro olhar, entre as sólidas e pesadas paredes, abre espaço para entrar a luz os vitrais multicoloridos. Os vitrais deixam passar a luz do sol e criam uma ambiente que parece frio e sombrio, mas que ao olhar mais atento e sensível, revela um ambiente sereno e cheio de cores. As cores azuis, vermelho e violeta projetam-se sobre o mármore e refletem no chão criando profundidade e quebrando sua aparência fria e bruta dando lugar à cor.

O estilo gótico das grandes catedrais medievais teve grande influência sobre a arquitetura das igrejas católicas ao longo dos séculos.

Usa-se da arte para construir seus templos o catolicismo. Da escultura, da pintura, da arquitetura, com a intenção de elevar e provocar o espírito e a nos aproximar de Deus. E aproxima em verdade.

Durante um tempo da história da religião, foi questionada a validade da arte ser usada nas igrejas, e de sua capacidade de mediação entre o humano e o divino. Catolicismo versus protestantismo. O protesto era de que se devia abster das coisas terrenas e materiais, da arte e da beleza, com o argumento de que ao invés de a arte e a opulência aproximar o fiel de Deus, esta afastava ou desviava sua atenção. A austeridade das construções sim aproximava o homem de Deus.

Caímos em uma complexidade, quando falamos de fé e religiosidade, mas a meu ver, todas estas coisas contribuem sim para a nossa aproximação com Deus e Jesus Cristo. A arquitetura, a escultura, os anjos, o cristo crucificado, a música, o órgão, a mistura de todas estas coisas nos eleva. Pois apesar de todas as coisas que em seriedade trata a bíblia e a doutrina cristã, o que deve sobressair ao final é a beleza, beleza dos ensinamentos, da palavra, do milagre, da fé, do amor.

Dentre todas as belezas que carrega a matéria existe uma coisa que o homem não pode ver e tocar, que se expande no ar, que entra aos ouvidos e que não nos devemos esquecer. A palavra. Quando a voz humana aparece, que fala através da Bíblia que é a voz de Deus, quando ela entra em cena, está aí o arrebatamento final.

O homem precisa de Deus, não podemos viver sem ele. Há um crescente número de denominações que surgem, e uma grande confusão está sendo criada em torno da validade das manifestações de fé e da religião. O homem se preocupa em entender e se esquece de sentir. Em qualquer denominação, no catolicismo, nas igrejas protestantes ou evangélicas e mesmo no espiritismo, Deus se manifesta e revela seu poder. Observo que mesmo nas igrejas evangélicas, onde também a austeridade sobressai à opulência material, uma ora ou outra se percebe a necessidade do uso da matéria para a congregação e para os cultos. Seja na igreja mais simples, católica, protestante ou evangélica, vemos um altar, com representações materiais, flores, naturais ou não, no catolicismo a água benta, para os evangélicos o azeite, em ambas a música. Padres ou pastores, usam da palavra, mas a fé vem do indivíduo. Uma coisa não dispensa a outra, todas são importantes. Devemos nos ater à essência do que representa a religião e no que é comum a elas, o uso da bíblia e da palavra de Deus. No primeiro texto que criei, como sempre volto a mencionar em novas postagens as coisas novas que dialogam com as antigas devo relembrar. Disse na postagem que falava dos grafites que existia uma qualidade efêmera e passageira em tudo o que existe. E agora me ative que existe algo que não será passageiro. As palavras de Deus, os ensinamentos do senhor que veio até nós através de Jesus cristo. As coisas materiais podem passar, o que é matéria pode acabar, mas o que está dentro do homem, o seu sentimento, este não é matéria e não passa. Um dia todos os homens irão entender o que em verdade e em essência a beleza de Deus.

O que o homem sente não pode ser tocado. Sentimentos são abstratos, não fazem parte do mundo material.
 E segundo os ensinamentos de Deus e Jesus Cristo, o maior dele é o amor. Jesus amou incondicionalmente a humanidade e igualmente a todos, exercendo o amor síntese só possível a uma criatura que reúne em si todas as virtudes.
Acredito que através dele podemos chegar a todos os outros sentimentos como a felicidade e a paz.


N primeira epistola aos Coríntos contido na Bíblia, podemos saber um pouco mais sobre este sentimento tão complexo e da grandeza do que é o amor.

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o símbalo que retine”.

O amor nunca falha e a vida não falhará enquanto houver amor. Seja qual for a sua crença, ou sua fé, busque primeiro o amor. Ele está aqui, existindo agora, neste momento.

O amor jamais acaba. Mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas cessarão; havendo ciência passará. Porque em parte conhecemos e em parte profetizamos. Quando, porem, vier o que é perfeito, o que então é em parte será aniquilado. Quando eu era criança, falava como uma criança. Quando cheguei a ser adulto, desisti das coisas próprias de criança. Porque agora vemos como num espelho, obscuramente, e então veremos face a face; agora conheço em parte, e então conhecerei como sou conhecido. AGORA, POIS, PERMANECEM A FÉ, A ESPERANÇA, E O AMOR. ESTES TRÊS. POREM, O MAIOR DELES É O AMOR.